OBRAS

Distintos meios como a fotografia digital, a gravação de matrizes, a impressão, a digitalização e a reimpressão de imagens sobre outros suportes são explorados. Os trabalhos apresentam diferentes granulações e texturas, cujas características são problematizadas pelas operações de contato entre matriz-imagem e imagem-matriz, entre meios tradicionais e a (re) mediação pelos meios numéricos; são abordadas questões conceituais em relação a matriz, imagem e (re) mediação.

Os trabalhos que compõem esta série, são imagens captadas por meio de fotografias realizadas durante minhas viagens por áreas de preservação ambiental, como a estação ecológica do Taim e da Lagoa do Peixe, da região sul do Brasil. 

Os trabalhos que desenvolvi, procuram traduzir, através da sobreposição de diferentes meios técnicos, a ideia de simultaneidade de percursos indicados pela intersecção de linhas que se movem em diferentes direções.

A temática das gravuras que compõem a série Aguaceiro são imagens em que utilizo a fotografia como recurso indicial para registrar um momento inesperado de uma chuva torrencial caindo sobre o parabrisa do carro.

As imagens da série Ardósias são oriundas de fotografias de pedras denominadas de ardósia, em cujas superfícies encontro marcas e grafias gravadas pela ação milenar do tempo. 

Os trabalhos que compõem a série Oferendas, 2017, são imagens captadas por meio de fotografias durante caminhadas em margens de praias: a primeira, no extremo sul, na lagoa dos Patos, praia do Laranjal, Pelotas, RS; e a segunda ao longo do mar, praia de Capão da Canoa, RS.

A produção desses trabalhos implica na hibridização de meios que são transferidos e operados digitalmente para ressaltar aspectos de contrastes de luz e sombra presentes na fotografia,  aspectos igualmente, importantes para a gravação das matrizes de metal.

PAISAGENS ENCLAUSURADAS

As imagens resultantes desses contatos híbridos configuram uma outra visualidade e, no trânsito entre os diferentes meios, o acaso, a perda e a permanência são incorporados ao meu processo de criação artístico.

Nesse processo, a fotografia é um dispositivo deflagrador (trigger) para captura de imagens, que promove a interação entre os diversos meios utilizados em fluxo contínuo, uma vez que as imagens podem ser constantemente modificadas, facilitando a migração entre médias. analógica (matriz / imagem) e imagens desenhadas por meios digitais (imagem / imagem).

Os trabalhos da série Cárceres são oriundos dos desdobramentos vinculados aos procedimentos de contato que envolvem a produção de matriz, imagem e reprodução.

As imagens desses trabalhos são oriundas da fotografia digital, da gravação de placas de metal, da impressão convencional  e da impressão digital sobre diferentes suportes.  

Na série Ruídos do Branco, o papel, não é apenas suporte, também é matéria que possibilita explorar as suas distintas materialidades. As palavras gravadas em côncavo sobre as matrizes de cobre, juntamente com as granulações texturadas da sua superfície, produzem os relevos convexos nas imagens.

Nesses trabalhos são utilizados distintos meios como a fotografia digital, a gravação de matrizes, a impressão, a digitalização e a reimpressão de imagens sobre outros suportes. Esses trabalhos apresentam diferentes granulações e texturas, cujas características são problematizadas pelas operações de contato entre matriz-imagem e imagem-matriz, entre meios tradicionais e a (re) mediação pelos meios numéricos.

Na década de 1990 surge a série Oposições Polares, nas quais trabalho com sobreposições e justaposições de matrizes e cores, onde os cheios afirmam os vazios e vice-versa. Nessas gravuras, manifestam-se, simbolicamente, o feminino e o masculino, nas formas ovais, na circularidade das linhas, nas pontas e flechas, no pulsar dos roxos velados e vermelhos incisivos. Os trabalhos são denominados de: Pulsações, Passagens, Em busca do centro, Verticalização, Objetens.

Os trabalhos são oriundos de procedimentos artísticos anteriores em relação a utilização da parafina, a modularidade, a repetição e registros dos instantes intervalares de tempo. Nestes, configuram-se outras questões visuais e conceituais nas imagens devido a inserção de novos elementos, materiais e objetos, como flores, vidros e espelhos.

As imagens resultam do contato entre matérias, nas quais perpassam conexões temporais muito sutis, revelando talvez um infra-fino ou o infra-mince, denominação concebida por Marcel Duchamp.

Esta série, realizada em 1999, é constituída por imagens nas quais emergem de formas reminiscentes de pontas primitivas, do gesto incisivo e da ação fogo que provoca marcas e cicatrizes profundas sobre a matriz.