SETE DIAS + SETE NOITES – 2011

Os trabalhos são oriundos de procedimentos artísticos anteriores em relação a utilização da parafina, a modularidade, a repetição e registros dos instantes intervalares de tempo. Nestes, configuram-se outras questões visuais e conceituais nas imagens devido a inserção de novos elementos, materiais e objetos, como flores, vidros e espelhos.

Instalação – trabalhos realizados com diversos materiais: tubos de vidro, parafina, flores de tecido, desenho, impressão.

SETE DIAS + SETE DIAS

Os trabalhos são oriundos de procedimentos artísticos anteriores em relação a utilização da parafina, a modularidade, a repetição e registros dos instantes intervalares de tempo. Nestes, configuram-se outras questões visuais e conceituais nas imagens devido a inserção de novos elementos, materiais e objetos, como flores, vidros e espelhos. São realizadas impressões sobre papéis, cujas imagens são amalgamadas em blocos de parafina, bem como, são produzidas interferências com grafismos, resultando em desenhos impregnados com parafina, buscando uma certa permanência. Estas inúmeras imagens geram contrapontos com as flores parafinadas pretas e brancas colocadas sobre espelhos, produzindo reflexos e infinitas repetições em sua horizontalidade e profundidade.

O conjunto destes trabalhos provoca tensões e distensões que envolvem as relações dialéticas entre a efemeridade e a permanência (sete dias + sete dias), a alternância temporal dos ritmos que se repetem e se voltam sempre sobre si mesmos (flores refletidas), as hesitações entre a continuidade e descontinuidade (desenhos parafinados) e nas incubações, provocar transformações (fases lunares). Nesse sentido, busco fenomenologicamente evocar o paradoxo cíclico e limítrofe da vida instaurado pelo espaço/tempo, entre certezas e incertezas, questionando os estados sobre o que é permanente – se é que existe? Ou tudo é passagem e transitório…

 

Lurdi Blauth

Setembro 2011

 

 Sílex III, IV, V e Luas Negras – Nesses trabalhos ocorre uma transformação significativa no procedimento de impressão das imagens. Embora utilize matrizes de madeira de pequenas dimensões, ocorre uma inversão nos procedimentos devido ao uso da parafina como suporte sobre o qual realizo interferências diferenciadas de gravação e impressão.  As matrizes são oriundas de formatos remanescentes que remetem a instrumentos primitivos e instigaram-me a refletir sobre a ação do fogo, e como ele opera a transformação interna da matéria, ao contrário dos gestos incisivos que produzem marcas negativas sobre a matriz. O fogo produz a negação da matéria pela carbonização e desestruturação da matriz e, no instante em que ocorre o contato com a parafina, restos de vestígios são retidos e condensados.

Ao introduzir a parafina como suporte das matrizes carbonizadas, ocorre uma reversibilidade em relação aos meios utilizados anteriormente. Nesses trabalhos, o suporte também transforma-se, interagindo como imagem. Esse procedimento opõe-se ao pensamento original da gravura, no qual se considera o suporte apenas como um fundo neutro, sobre o qual se imprimia a imagem gravada na matriz, a qual também perdia a sua função depois de concluída a tiragem.

 

Luas negras – Esses trabalhos são constituídos por diversos módulos de parafina, configurando-se como uma coluna que se estende e se repete quase ao infinito. 

Nessa etapa, os trabalhos retomam apenas os resíduos e as cinzas ao mesmo tempo, observamos a ausência do gesto, da matriz, do fogo, desconstruindo a referência de procedimentos que envolvem os meios gráficos convencionais. O que permanece é uma massa cinzenta e escura que é capturada pelo procedimento da moldagem de forma e contra-forma, gerando no vazio negativo da forma, o bloco positivo. Nesse esvaziamento de qualquer interferência proposital, os blocos mostram-se quase anônimos, porém, concentrados em sua matéria. Paradoxalmente, surgem as Luas Negras, desdobrando-se em suas diversas fases. Nesses trabalhos, talvez, pelo fato de buscar a ausência dos referenciais anteriores, seja evocado o ponto zero da gravura.