CÁRCERES – 2013

Os trabalhos da série Cárceres são oriundos dos desdobramentos vinculados aos procedimentos de contato que envolvem a produção de matriz, imagem e reprodução.

Os trabalhos da série Cárceres são oriundos dos desdobramentos vinculados aos procedimentos de contato que envolvem a produção de matriz, imagem e reprodução. Nesse processo, a fotografia é um dispositivo indiciário deflagrador para a captura de imagens que propiciam interagir no fluxo contínuo entre os diversos procedimentos, visto que as imagens podem ser constantemente modificadas, propiciando migrações entre meios analógicos (matriz/imagem) e imagens concebidas por meios digitais (imagem/matriz).

Para a exposição Inter-dito realizo uma série de imagens provenientes de uma realidade preexistente, de um lado, são realizadas fotografias (o que talvez é percebido) do próprio espaço expositivo, e de outro, as fotografias (o que talvez é imaginado) são provenientes de arquivos de espaços que remetem às imagens de lugares de aprisionamentos e vigilância, no caso de registros de ex-prisões. As relações entre visível e o oculto articuladas nesses trabalhos propõem analogias que jogam com a produção de imagens que remetem a uma visualidade de um real próximo, a partir da ação do tempo em lugares de confinamento, em oposição, imagens que provocam indagações em seus aspectos que transformaram esses espaços  ficcionais .

Lugares fotografados: Porão do Paço Municipal de Porto Alegre; Ex-cárcere de Miguelete, Montevideo, UY;  Florença, Itália, Monte Saint Michel, França. São fotografias realizadas de ex-prisões, que foram transformados em outros espaços: Porão do Paço Municipal de Porto Alegre; Ex-cárcere de Miguelete, Montevideo, Uruguai; Monte Saint Michel, França. O tempo de mais um dia + um dia em que a ilusão de liberdade de ir e vir do indivíduo é diluído no sentir-se permanente observado. Aqui menciono as reflexões de Foucault sobre o princípio de panótipo, como modelo de sociedade de disciplina e ordenação das multiplicidades, e, a prisão como espaço heterótipo, onde as referências de controle se modificam tanto, não sendo possível encontrar relações que mantenham a noção de tempo dentro do real.

Série Cárceres

As minhas investigações poéticas são oriundas a partir de desdobramentos vinculados aos procedimentos de contato entre distintos conceitos operatórios que envolvem a produção de matriz, imagem e reprodução. Nesse processo, a fotografia é um dispositivo indiciário deflagrador para a captura de imagens que propiciam interagir no fluxo contínuo entre os diversos procedimentos, visto que as imagens podem ser constantemente modificadas, propiciando migrações entre meios analógicos (matriz/imagem) e imagens concebidas por meios digitais (imagem/reprodução).

Os trabalhos que compõem a série Cárceres são imagens que propõem redimensionar questões relacionadas ação do tempo em lugares de confinamento. São fotografias e calcografias realizadas de ex-prisões, que foram transformados em outros espaços como o Porão do Paço Municipal de Porto Alegre e o Ex-cárcere de Miguelete, Montevideo, Uruguai. As imagens desses espaços físicos remetem à memória de lugares de reclusão, embora redimensionados como espaços de interação pública, ainda suscitam indagações sobre essa realidade de aprisionamentos e vigilância.

Lurdi Blauth / 2014

* Para aquisição entre em contato pelo email  lurdiblauth@gmail.com